Homenagens

A advocacia bandeirante e nacional ficaram em luto em 11/09/2014, eis que partiu o amigo, companheiro de trincheira, intrépido soldado e acima de tudo um espetacular ser humano. Chamava-se Jaime Franco e veio ao mundo em 25/02/1934, na Cidade de Guararapes/SP, tendo se graduado em Direito no ano de 1960 e daí para a frente não parou mais de empolgar sua espada de justiça e esperança na nobre e seleta advocacia, considerada a mais bela das profissões pelo genial Voltaire. Jaime Franco também era belo de coração.

 

Conheci esse saudoso companheiro no curso que ele realizou conosco perante a Academia Paulista de Direito Criminal em fevereiro/2008, quando esse contagiante advogado viajava de carro de Dracena, onde tinha domicílio, até São Paulo, todos os sábados, durante 8 longas horas, saindo sempre tarde da noite de sexta-feira para chegar bem de manhãzinha no curso de sábado e ali permanecia firme e atencioso por mais 6 horas, ouvindo com atenção algumas experiências hauridas por nós ao longo de atuações perante o Tribunal do Júri, retornando depois das aulas e de carro para a Cidade de Dracena, chegando por lá sempre na madrugada do domingo e assim ao longo de 4 meses, tempo que durava a ministração do nosso curso do júri.

 

Era de coração generoso, com perceptível desprendimento e com incontestável desapego material, ajudando a tantos quanto pudesse de qualquer maneira fazer a diferença, como foi o meu caso.

 

Recordo-me de ter sido convidado por ele, durante sua participação nesse curso do júri, para coadjuvá-lo num importante caso de júri eclodido na Cidade de Dracena e que despertou clamor público, verdadeira comoção social local, com ríspidas palavras de ordem invocadas pela população e mídia, tendo eu aceitado de pronto atuar ao lado do exultante e convicto Dr. Jaime Franco. Atuei com ele no sumário de culpa nesse caso por cerca de duas vezes e até que a cliente fosse pronunciada, decisão em face da qual interpusemos o competente recurso, o que ainda perdura, enfim, ironicamente o Dr. Jaime Franco se foi antes de poder atuar no plenário de júri desse caso, uma vez que o processo ainda se encontra, como já mencionado, em grau de recurso e sem previsão para marcação do plenário do júri, caso seja essa a solução dos Tribunais de Brasília. Também e ironicamente não saberia dizer se atuarei concretamente nesse caso, eis que o amanhã só a Deus pertence, restando-me de qualquer modo uma pitada de dor no meu coração, eis que augurava pelejar com meu saudoso colega em mais esse campo de batalha, empolgando conjuntamente a espada da justiça, a qual lhe foi arrebatada, tendo diminuído a força da minha.

 

Sempre que ele telefonava ao meu escritório e eu ouvia sua entusiasmada voz, ele dizia que era general das forças desarmadas, desarmadas aí de rancor, inveja, egoísmo, desamor, orgulho, apego, ou seja, desarmado das coisas ruins, porém, mais que armado da retidão de caráter, amor ao próximo e a Deus, firme vontade de compartilhar as vitórias e não desistir por conta dos revezes.

 

Por tudo isso, devo igualmente render minhas sinceras homenagens a tão grande espírito e que a fatalidade levou mais cedo que devia, externando-lhe a minha gratidão, meu respeito, carinho, amor, tentando a todo custo espantar a enorme saudade. Obrigado por você um dia ter existido, meu querido amigo Dr. Jaime Franco, estendendo essa merecida homenagem também à sua esposa Katia e aos seus filhos João Rafael, Jaime Franco Filho e Claudia.

 

Romualdo Sanches Calvo Filho

Advogado e Presidente da APDCrim

Janeiro/2015

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